Candido Portinari. Meninos brincado , 1955. VIVER É FREQUENTAR¹. “Você pra jogar imagina, eu jogo sem imaginar”, música de capoeira. “Na dança o sujeito e seu mundo não mais se opõem, não mais se destacam um sobre o outro”, M. Merleau-Ponty, Fenomenologia da Percepção. “Menino quem foi teu mestre? Meu mestre foi Salomão. Andava de pé pra cima Com a cabeça no chão ” , música de capoeira. Para quebrar com certa noção fácil e que não permite grandes mudanças de perspectiva, inicio afirmando ser a vida o contínuo treinamento que nos permite conhecer as sequências do mundo. O acesso às ordens sequenciais advindas do treinamento, isto é, da continuidade numa condição enquanto fim do conhecimento retira da própria vida a sua determinação básica de ser conhecimento sem finalidade manipulativa a priori, isto é, conhecimento sem consciência. Vivendo aprendemos a conhecer e reconhecer o ritmo invisível do movimento das coisas. Daí a dança como interação recíproca surge como modo mais que met...