Estava com um erro em mãos: jogá-lo no lixo ou guardá-lo como sinal do desvio? Detive-me um tempo observando o erro como quem olha para o futuro de seu passado. “Para quê? Dele não foi retido o aprendizado e o sentido, então, por que conservá-lo?”. Adiantei-me, com ímpeto de um certo cientismo ansioso e pensei: “ora, preciso lembrar do caminho de aprendizado, das etapas da mudança. Mas olhar para ele, no tempo que for, não seria como olhar para o mar e acreditar ser ele azul, esverdeado ou obscuro quando o que doa a sua cor para meus olhos é o céu sobre nossas cabeças?”. É certo que nosso platonismo espontâneo nos ensinou a cultuar a clareza do Sol e não a verdade infinita das noites estreladas. Murad Al-Assar, Barulho da Morte , 2025. O problema se expôs: relação entre esquecimento e verdade. Não existiria algo de patológico ou, talvez, certa ingenuidade iluminista nessa necessidade de lembrar do erro, ao estilo do monumento do mal - como um Pelourinho ou uma Câmera d...
Para sermos completos, convém acrescentar que os colegas e seguidores de Bourdieu têm feito uso intensivo dos métodos da Análise Generalizada da Discriminação (AGD) desde meados da década de 1970. Luc Boltanski (sobre “quadros” ou “denúncia”), Remi Lenoir (demógrafos, política familiar), Patrick Champagne (camponeses franceses), Monique de Saint-Martin (nobreza), Annie Verger (artistas), etc., publicaram capítulos de livros ou artigos baseados na AGD durante a década de 1980 e a primeira metade da década de 1990. Uma nova geração de pesquisas baseadas na Análise Geométrica de Dados (AGD) tornou-se visível por meio de um artigo de Gisèle Sapiro sobre o campo dos escritores franceses sob a ocupação alemã, publicado na revista Actes de la recherche en sciences sociales em 1996. Paralelamente, os sociólogos suecos da educação Donald Broady e Mikael Börjesson, inspirados pela obra de Bourdieu, utilizavam intensivamente a Análise de Correspondência Simples (ACS) e a Análise de correspondênci...