Estava com um erro em mãos: jogá-lo no lixo ou guardá-lo como sinal do desvio? Detive-me um tempo observando o erro como quem olha para o futuro de seu passado. “Para quê? Dele não foi retido o aprendizado e o sentido, então, por que conservá-lo?”. Adiantei-me, com ímpeto de um certo cientismo ansioso e pensei: “ora, preciso lembrar do caminho de aprendizado, das etapas da mudança. Mas olhar para ele, no tempo que for, não seria como olhar para o mar e acreditar ser ele azul, esverdeado ou obscuro quando o que doa a sua cor para meus olhos é o céu sobre nossas cabeças?”. É certo que nosso platonismo espontâneo nos ensinou a cultuar a clareza do Sol e não a verdade infinita das noites estreladas. Murad Al-Assar, Barulho da Morte , 2025. O problema se expôs: relação entre esquecimento e verdade. Não existiria algo de patológico ou, talvez, certa ingenuidade iluminista nessa necessidade de lembrar do erro, ao estilo do monumento do mal - como um Pelourinho ou uma Câmera d...