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Mostrando postagens com o rótulo Homologia

Com Weber, contra Weber. Entrevista com Pierre Bourdieu.

Com Weber, contra Weber. Pierre Bourdieu.  Pergunta: Quando você começou a se familiarizar com a obra de Max Weber? Se bem entendi, isso aconteceu durante sua estada na Argélia. Que tipo de texto você estava lendo naquela época?   Pierre Bourdieu: Comecei com Die protestantische Ethik. Durante esse tempo, eu estava trabalhando em um livro que pretendia resumir minha pesquisa sobre a Argélia. Em Die protestantische Ethik havia uma abundância de coisas sobre o tradicional "espírito" pré-capitalista e sobre o comportamento econômico - descrições maravilhosas que foram muito úteis e, de fato, bastante impressionantes. Recorri ao trabalho de Weber para compreender o M'zab, uma extensão de terra no deserto árabe, habitada principalmente por Kharijitas, que são muçulmanos com um estilo de vida muito ascético - e quase "puritano" e a quem poderíamos chamar 'os Protestantes do Islã', uma corrente religiosa. Isso foi realmente incompreensível; esta austeri...

Willian Labov. Entrada no Vocabullaire Bourdieu

(tradução nossa) Willian Labov (1927) é o fundador da sociolinguística interacionista. Aluno de Uriel Weinrich, ele escreveu seus primeiros trabalhos na área da dialectologia estrutural. Contrariamente a linguística estrutural tradicional, esta abordagem procurou a integração no modelo linguístico a existência de variáveis linguísticas socialmente e espacialmente condicionadas. Desde sua primeira pesquisa, em Martha's Vineyard em Massachssets, Labov mostra que a distribuição de variáveis linguísticas depende de uma analise adequada da estrutura social da comunidade. A partir do caso de Martha's Vineyard, ele constatou uma clivagem entre aqueles que desejam permanecer na ilha e aqueles que, em razão de sua trajetória social, desejam partir [Labov, 1976]. De modo mais decisivo, em sua segunda pesquisa em Nova York, Labov não se contentou em só verificar a existência d euma covariação linguística e social mas também fez aparecer a existência de um segundo eixo de variação, de ord...

Do campo ao espaço de serviços. Em Lemieux, O crepúsculo dos campos

Seção de um capítulo de Cyril Lemieux intitulado O crepúsculo dos campos no livro  Bourdieu, teórico da prática. Link: https://books.openedition.org/editionsehess/11772#bodyftn32 [...] DO CAMPO AO ESPAÇO DE SERVIÇOS Foi num texto publicado em 1996 sob o título Sur la Télévision – transcrição de dois cursos do Collège de France veiculados no mesmo ano pelo canal de televisão Paris Première – que Bourdieu talvez tenha trazido mais claramente à luz o que implica, se assim manter-se coerente consigo mesmo, uma concepção restritiva do conceito de campo. Os desenvolvimentos contemporâneos da actividade jornalística em França deram-lhe, de facto, a oportunidade de se interrogar, talvez pela primeira vez, sobre os mecanismos sociais através dos quais os campos podem sofrer retrocessos para a heteronomia, na medida em que a sua existência, enquanto campo, fica assim comprometido. Ao não hesitar em abrir tal reflexão, simétrica àquela realizada três anos antes em As regras da arte sobre...