Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Campo

F. Ringer. Para uma história social do conhecimento

O CAMPO INTELECTUAL   História Intelectual e a Sociologia do Conhecimento*  Tanto em meu livro *Declínio dos Mandarins Alemães* quanto em meu estudo mais recente sobre as teorias francesas da educação, busquei relacionar as crenças que encontrei aos seus contextos intelectuais e sociais. As estratégias analíticas que adotei foram, de fato, guiadas pela ideia de uma sociologia histórica do conhecimento, uma ideia que suscita um conjunto de questões teóricas e metodológicas. Minha posição sobre essas questões foi inspirada pelo pensamento de Max Weber e de Karl Mannheim, mas também influenciada pela obra do sociólogo francês contemporâneo Pierre Bourdieu. Gostaria de iniciar estas reflexões com uma discussão sobre o conceito de campo intelectual de Bourdieu, que define o objeto de estudo da história intelectual de uma maneira nova e, para mim, convincente. A partir daí, pretendo abordar os fundamentos da história intelectual na história social do ensino superior e dos intelectua...

Método. Entrada no Dicionário Bourdieu por Frédéric Lebaron

Método. Frédéric Lebaron A obra Le Métier de sociologue deveria incluir uma sequência metodológica mais explicitamente, com finalidade educativa. Infelizmente, este texto nunca viu a luz do dia, embora Pierre Bourdieu e a sua equipa tenham trabalhado nele durante algum tempo. Este facto não é, sem dúvida, alheio ao risco, abundantemente sublinhado no Le Métier de sociologue, de desligar o pensamento do método da prática concreta da ciência, e ao risco correlato de constituir em cânones um conjunto de preceitos rígidos e distantes da realidade do mundo. investigação em curso, isolando assim a metodologia, que se tornou uma subdisciplina abusivamente autónoma, da própria actividade científica. No entanto, a reflexão metodológica continuou a manter um lugar de destaque na obra de Bourdieu e, sem dúvida ainda mais, poder-se-ia dizer que a inovação metodológica tem ocupado constantemente um lugar decisivo, numa relação íntima com o desenvolvimento teórico. A importância e o interesse dos...

Willian Labov. Entrada no Vocabullaire Bourdieu

(tradução nossa) Willian Labov (1927) é o fundador da sociolinguística interacionista. Aluno de Uriel Weinrich, ele escreveu seus primeiros trabalhos na área da dialectologia estrutural. Contrariamente a linguística estrutural tradicional, esta abordagem procurou a integração no modelo linguístico a existência de variáveis linguísticas socialmente e espacialmente condicionadas. Desde sua primeira pesquisa, em Martha's Vineyard em Massachssets, Labov mostra que a distribuição de variáveis linguísticas depende de uma analise adequada da estrutura social da comunidade. A partir do caso de Martha's Vineyard, ele constatou uma clivagem entre aqueles que desejam permanecer na ilha e aqueles que, em razão de sua trajetória social, desejam partir [Labov, 1976]. De modo mais decisivo, em sua segunda pesquisa em Nova York, Labov não se contentou em só verificar a existência d euma covariação linguística e social mas também fez aparecer a existência de um segundo eixo de variação, de ord...

Do campo ao espaço de serviços. Em Lemieux, O crepúsculo dos campos

Seção de um capítulo de Cyril Lemieux intitulado O crepúsculo dos campos no livro  Bourdieu, teórico da prática. Link: https://books.openedition.org/editionsehess/11772#bodyftn32 [...] DO CAMPO AO ESPAÇO DE SERVIÇOS Foi num texto publicado em 1996 sob o título Sur la Télévision – transcrição de dois cursos do Collège de France veiculados no mesmo ano pelo canal de televisão Paris Première – que Bourdieu talvez tenha trazido mais claramente à luz o que implica, se assim manter-se coerente consigo mesmo, uma concepção restritiva do conceito de campo. Os desenvolvimentos contemporâneos da actividade jornalística em França deram-lhe, de facto, a oportunidade de se interrogar, talvez pela primeira vez, sobre os mecanismos sociais através dos quais os campos podem sofrer retrocessos para a heteronomia, na medida em que a sua existência, enquanto campo, fica assim comprometido. Ao não hesitar em abrir tal reflexão, simétrica àquela realizada três anos antes em As regras da arte sobre...