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Mostrando postagens de janeiro, 2025

F. Lebaron: Análise geométrica de dados em um programa de pesquisa sociológico: O caso da sociologia de Bourdieu.

clique aqui para ler o artigo original 1. INTRODUÇÃO   Há um aspecto essencial da obra de Bourdieu que tem sido um tanto negligenciado pelos especialistas da “teoria de Bourdieu”1: é a sua preocupação constante com a quantificação do seu material empírico e com a formação matemática do seu pensamento. O primeiro objetivo deste texto é fornecer alguns referenciais neste nível e destacar a solução adotada por Bourdieu, pelo menos desde A distinção: a modelagem geométrica de dados, baseada na análise geométrica de dados.  Como diz Bourdieu: “Utilizo muito a análise de correspondência, porque penso que é um procedimento relacional cuja filosofia expressa plenamente o que considero constituir a realidade social. É um procedimento que ‘pensa’ relacionalmente, e é isso que estou tentando fazer com o conceito de campo”2. O programa de quantificação desenvolvido por Bourdieu não é o resultado arbitrário de contingências históricas, mas a consequência lógica de uma experiência crítica ...

Mapeando o mundo social: de agregados a indivíduos

Os dados podem ser liberais ou conservadores? Alain Desrosières escava a curiosa história da "análise de correspondência" e sua ascensão à fama. Clique aqui para ler a versão base em inglês . Por muito tempo, a estatística teve a reputação de eliminar a individualidade, de descrever agregados apenas por meio de somas e médias. No entanto, na década de 1960, especialmente na França, técnicas de análise estatística descritiva foram desenvolvidas (análise de correspondência de Jean-Paul Benzecri), permitindo-nos focar em indivíduos dentro da totalidade maior. Desde então, os desenvolvimentos em tecnologia da informação e a proliferação de registros quase automáticos (desejáveis ou indesejados) de dados de indivíduos resultaram em técnicas conhecidas como mineração de dados e criação de perfil ; iluminando indivíduos, por exemplo, para identificar futuros delinquentes ou simplesmente criar perfis de consumidores. A estatística construiu, portanto, uma rede ainda mais densa de rel...

Resenha crítica de Perissinoto et al (2023): A elite dos colunistas de economia como comunidade epistêmica: uma análise de redes (2019-2021)

De modo sucinto, a pesquisa desenvolvida por uma pesquisadora e três pesquisadores retrata aquilo que poderíamos chamar de subcampo do jornalismo econômico que divide as fronteiras entre o campo jornalístico e o campo da economia no Brasil. No artigo, porém, esta realidade é retratada e pesquisada a partir do conceito de comunidade espistêmica : “Nesse sentido, segundo uma definição canônica, comunidades epistêmicas são redes de pessoas que: a) partilham determinadas crenças normativas sobre o que é certo e errado, bom ou ruim, justo ou injusto; b) compartem determinadas crenças causais (procedimentos a serem adotados para a realização dos ideais normativos); c) partilham um conhecimento especializado e tido como legítimo pela sociedade (ferramenta a ser utilizada para operacionalizar as crenças causais e realizar os ideais normativos); e d) têm um objetivo político comum: influenciar uma política pública específica de modo coerente com as crenças normativas da comunidade epistêmica e...