F. Lebaron: Análise geométrica de dados em um programa de pesquisa sociológico: O caso da sociologia de Bourdieu.
1. INTRODUÇÃO
O primeiro objetivo deste texto é fornecer alguns referenciais neste nível e destacar a solução adotada por Bourdieu, pelo menos desde A distinção: a modelagem geométrica de dados, baseada na análise geométrica de dados.
Como diz Bourdieu: “Utilizo muito a análise de correspondência, porque penso que é um procedimento relacional cuja filosofia expressa plenamente o que considero constituir a realidade social. É um procedimento que ‘pensa’ relacionalmente, e é isso que estou tentando fazer com o conceito de campo”2.
O programa de quantificação desenvolvido por Bourdieu não é o resultado arbitrário de contingências históricas, mas a consequência lógica de uma experiência crítica e de reflexões sobre os limites das abordagens quantitativas dominantes nas ciências sociais. Eles o levaram a um movimento consciente e sistemático em direção a um modelo de estrutura geométrica mais adequado à sua concepção do mundo social.
Em primeiro lugar, recordamos o compromisso de longo prazo de Bourdieu com a quantificação e a estatística, que o levou à escolha da análise geométrica dos dados através do uso da análise de correspondência e da análise de correspondência múltipla.
Em segundo lugar, enfatizamos o papel da noção de multidimensionalidade neste processo, tendo como exemplo central “A anatomia do gosto” / A distinção.
Numa terceira parte, mostramos que a noção de campo desenvolvida por Bourdieu é constantemente operacionalizada através da análise geométrica de dados, com o exemplo de “Patronat”.
Finalmente, numa quarta parte, depois de ter realizado um rápido exame do seu último trabalho empírico sobre editores franceses, tentamos inferir da prática de Bourdieu um programa geral de investigação sociológica baseado no uso da análise geométrica de dados.
2.
Desde o seu período argelino (segunda metade da década de 1950, cf. Bourdieu, 1958), Bourdieu cooperou com estatísticos do INSEE, em particular no âmbito dos inquéritos ao emprego realizados durante a guerra da independência. Bourdieu aplica então a sua perspectiva antropológica à interpretação de dados de inquéritos, nomeadamente estatísticas de desemprego (Bourdieu, Sayad, Darbel, Seibel, 1963; ver também Garcia, 2003; Seibel, 2005; Yassine, 2008).
Esta colaboração continuou na década de 1960 no Centro de Sociologia Europeia, como mostra a contribuição de Darbel no livro Les héritiers (1964). A. Darbel está envolvido no cálculo que estabelecerá as chances de acesso à universidade para diferentes categorias sociais. Em O Amor pela Arte, Bourdieu e Darbel publicam gráficos e equações da demanda por bens culturais, onde o “nível cultural”, medido de acordo com o nível de escolaridade, é a principal variável para explicar as desigualdades no acesso aos museus.
A necessidade de uma concepção mais estrutural manifesta-se muito cedo na obra de Bourdieu3. Está ligada à profunda influência do estruturalismo nas ciências sociais francesas da década de 1960, especialmente com os modelos da linguística e da antropologia estrutural levistraussiana. Para Bourdieu, a esta influência soma-se a da oposição entre uma visão “substancial” e uma visão “relacional” do mundo desenvolvida pelo filósofo Ernst Cassirer. Esta necessidade baseia-se também, embora de forma menos explícita, na dinâmica da matemática impulsionada após a Segunda Guerra Mundial pela empresa Bourbakista, que é então um modelo de referência implícito para muitos investigadores nas ciências do homem e da sociedade científica (o exemplo sendo a formalização das estruturas de parentesco a mais conhecida). O próprio Bourdieu refere-se frequentemente à necessidade de instrumentos matemáticos para formalizar o carácter relacional da realidade social. Nesse mesmo período, a análise geométrica dos dados surgiu em torno de Jean-Paul Benzécri, que Bourdieu conheceu na École Normale Sup. Bourdieu tinha plena consciência da existência de um fecundo empreendimento de renovação da estatística baseado em sólidas bases matemáticas e filosóficas4.
Num capítulo (“O fim do malthusianismo”) de Sharing the Profits (Darras, 1966), um trabalho escrito com estatísticos do INSEE após uma conferência organizada em Arras, Bourdieu e Darbel discutem detalhadamente as limitações, tal como as percebem, das técnicas de regressão nas ciências sociais. Em particular, referem-se explicitamente à quase-colinearidade como um problema fundamental. De forma mais ampla, desenvolveram uma concepção mais “estrutural” de causalidade nas ciências sociais do que a da sociologia das variáveis, da demografia ou da economia quantitativa que então se desenvolveu: envolvia o estudo dos efeitos globais de “uma estrutura complexa de inter-relações, que são irredutíveis” à combinação de “efeitos puros” de variáveis independentes.
3.
Bourdieu refere-se muito cedo à existência de várias espécies de capital, que define como recursos sociais (capital económico, capital cultural, capital social e capital simbólico, principalmente). O seu objectivo científico é então duplo: contrariar uma visão puramente económica do comportamento humano e da sociedade (uma visão que pode ser associada à do economista americano Gary Becker); desafiar uma visão idealista do mundo cultural (antropologia cultural, linguística e antropologia estrutural, da qual Bourdieu estava imbuído desde a década de 1950). Para fazer isso, ele desenvolve o que chama de “economia de bens simbólicos” e depois uma “economia geral de práticas” destinada a integrar as dimensões económicas e culturais dentro da mesma teoria geral (ver Lebaron, 2004).
No final da década de 1960, Bourdieu voltou-se para a análise de dados, cuja afinidade eletiva percebeu com sua própria teoria estrutural do mundo social. Integra então a ideia de que se a quantificação deve desenvolver-se nas ciências sociais, deve ser multidimensional. Deve permitir, inicialmente, operacionalizar as diferentes dimensões fundamentais do espaço social, ou seja, as diferentes espécies de capital, económico, cultural, social e simbólico; o próximo passo é combiná-los para fornecer modelagem geométrica dos dados.
“A Anatomia do Gosto” (Bourdieu e de Saint-Martin, 1976) é a primeira aplicação de métodos geométricos de análise de dados na obra de Bourdieu, republicada em 1979 em La distinção. Os dados analisados foram coletados por meio do mesmo questionário relativo a duas amostras complementares. O objetivo científico do trabalho foi fornecer uma visão sintética do espaço social como uma estrutura global e estudar em profundidade dois subsetores dentro deste espaço: o espaço das classes dominantes e o espaço das classes médias (“pequena burguesia”), sendo cada estudo baseado na análise de uma tabela Indivíduos X Variáveis (correspondente a cada subpopulação).
Os principais elementos da modelagem geométrica de dados já estavam presentes neste trabalho, como mostraram justamente Henry Rouanet, Werner Ackermann e Brigitte Le Roux no Boletim de metodologia sociológica (Rouanet et al., 2000).
AC (análise de correspondência) é aplicada a uma tabela Indivíduos X Variáveis, o que era uma prática comum na época anterior ao desenvolvimento do ACM como tal.
A escolha de variáveis ativas e adicionais feita por Bourdieu e de Saint-Martin é sutil: questões de gosto e práticas culturais são escolhidas como variáveis ativas de análise; informações sociodemográficas e profissionais são utilizadas como elementos adicionais; na primeira publicação, esta última informação apareceu até numa folha transparente que poderia ser sobreposta ao primeiro plano principal resultante do CA. Esta técnica de visualização dá uma intuição das relações sociológicas entre o espaço dos gostos (estilos de vida) e o espaço das posições sociais.
A nuvem de indivíduos está presente na primeira análise: para frações específicas das classes dominantes (profissões liberais, patrões da indústria e do comércio, etc.), a dispersão dos indivíduos é representada por contornos de subnuvens desenhadas à mão. Esta prática corresponde ao que chamaremos posteriormente de “fatores estruturantes”, sendo a nuvem de indivíduos sistematicamente estruturada por “fatores” externos na perspectiva da análise estruturada de dados (Le Roux, Rouanet, 2004).
As espécies de capital são as dimensões fundamentais do espaço estudado; a sua combinação (da qual resultam as principais dimensões interpretadas) é um resultado específico de cada análise. O espaço social resultante é aqui tridimensional: as três primeiras dimensões são interpretadas em termos de volume de capital, composição de capital e antiguidade na classe. Se nos referirmos mais especificamente ao espaço das classes dominantes ou da pequena burguesia (bidimensional), os dois primeiros eixos são interpretados em termos de composição do capital e antiguidade na classe.
A análise conduz a uma forte proposição sobre a existência de uma homologia estrutural entre o espaço dos estilos de vida e o espaço das posições sociais, sendo os dois interpretados como dois aspectos ou facetas de uma mesma realidade.
Entre as pesquisas atuais, como extensão desta interpretação já clássica, surgiu a questão da natureza universal desta configuração. A oposição entre capital económico e capital cultural, cada vez mais pronunciada, é para certos autores uma invariante nas sociedades capitalistas desenvolvidas (Rosenlund).
4.
A modelação geométrica de dados é uma forma prática de combinar a objectivação quantitativa através da síntese de informação estatística, numa perspectiva próxima da análise de dados na tradição de Benzecri, mas também, em certa medida, da análise factorial clássica, e da noção de campo tal como Bourdieu o teoriza.
A partir de meados da década de 1960, Bourdieu formulou o conceito de “campo”, que dá conta sistematicamente do caráter relacional da realidade social (Bourdieu, 1966). A teoria de campo foi desenvolvida mais plenamente no início da década de 1970 (Bourdieu, 1971). Um campo é um subespaço inserido no espaço social global, definido pela sua autonomia relativa, pela sua estrutura, ela própria ligada a uma configuração específica de agentes. Os agentes, num campo, mesmo sem interação direta, são colocados em relações objetivas entre si; estas relações são definidas em primeiro lugar pela distribuição dos seus recursos sociais e, portanto, por um processo de dominação cada vez específico (que não se reduz à dominação entre classes).
Uma novidade da análise de campo, tal como Bourdieu a promoveu a partir da década de 1970, reside no tipo de dados usados para explorar os campos. Os dados biográficos são recolhidos de diversas fontes (diretórios biográficos, diretórios, etc.) numa abordagem coletiva inspirada em práticas existentes na história social (“prosopografia”, em grande parte derivada da história antiga e medieval).
A segunda ocorrência de análise de dados no trabalho de Bourdieu é um artigo de 1978 intitulado "Le patronat", onde Bourdieu e Monique de Saint-Martin estudam uma população de chefes usando análise de correspondência múltipla. Neste artigo, os autores justificam o uso central da ACM como meio de descobrir/revelar uma realidade oculta que não é consciente, mas ainda assim mais “real” do que as percepções parciais e práticas dos agentes.
As questões activas (e modalidades) de análise são seleccionadas a partir de um conjunto de dados biográficos que permitem caracterizar as espécies de capital em jogo no campo patronal. As modalidades estão agrupadas em seções, uma parte significativa delas referente a propriedades sociais (que vão desde características demográficas até trajetórias educacionais) e outras a recursos mais específicos do campo econômico (cargos em conselhos de administração, distinções, etc.). Em particular, são considerados os seguintes:
- propriedades demográficas: local e data de nascimento, número de filhos, local de residência;
- origem social e familiar: profissão do pai, antiguidade na turma, presença no Bottin Mondain;
- a trajetória educacional (por exemplo a passagem ou não por um grande colégio parisiense, etc.);
- as características profissionais e de carreira: passagem por um grande corpo;
- cargos específicos na área: cargos de poder econômico, participação em conselhos, etc.
- indicadores de capital simbólico: distinções oficiais, condecorações, etc.
- indicadores de pertencimento a grupos mobilizados (como associações, clubes, organizações profissionais, etc.).
É publicada a nuvem de indivíduos, com os nomes dos patrões, o que permite ao leitor ter uma intuição direta da estrutura do campo.
O espaço interpretado é tridimensional, mas o terceiro eixo é descrito muito rapidamente num encarte metodológico. O primeiro eixo opõe cargos públicos e cargos privados (o campo é dominado por gestores tecnocráticos da ENA – ou Escola Nacional Politécnica de Administração) e o segundo eixo, ligado ao tempo, opõe os “novos entrantes” aos “estabelecidos”.
A análise proporciona uma visão forte da estrutura do campo patronal, estruturada pela relação com o Estado (capital burocrático) e por um processo de competição dinâmica entre frações, definida em primeiro lugar pela sua antiguidade no campo (sendo a nova geração mais frequentemente treinado em escolas de negócios, etc.). Uma perspectiva explicativa está presente na análise, cujo objetivo é compreender o espaço das estratégias gerenciais (por exemplo, em termos de recursos humanos) em relação à posição no campo. Em La noblesse d’Etat (1989), esta análise é retomada e combinada com o estudo da homologia entre o campo do poder (do qual o campo patronal é um subespaço) e o campo das grandes écoles.
5. Um programa de pesquisa sociológico
Podemos inferir, ou derivar, da prática de Bourdieu um programa geral baseado na análise geométrica de dados em sociologia. O exemplo do artigo “Uma revolução conservadora na edição” [2018] pode ser considerado a versão mais atualizada deste programa subjacente5. Esta é a última publicação que utiliza os métodos de análise de dados geométricos do próprio Bourdieu. Foi produzido em colaboração com Brigitte Le Roux e Henry Rouanet; Este trabalho seguiu-se à conferência de Colónia sobre “investigação empírica de espaços sociais” em 1998, após a qual começou a cooperação entre investigadores das duas equipas.
A análise geométrica baseia-se em dados prosopográficos recolhidos numa pequena população de empresas que publicam obras literárias, incluindo traduções de línguas estrangeiras. O principal método utilizado é o ACM específico, programado por Addad por Brigitte Le Roux e Jean Chiche. Esta técnica permite ao analista determinar certas modalidades de questões ativas como “passivas” (por exemplo, modalidades que não contêm informações ou “junk”), sem destruir as propriedades desejáveis de simetria do MCA. Como questões ativas, Bourdieu escolhe diferentes indicadores de capital (isto é, simbólico, económico e específico). Aqui poderíamos dizer, de forma mais geral, que o sociólogo deve produzir a lista mais exaustiva das dimensões teoricamente fundamentais dos recursos sociais em jogo no campo ou espaço estudado (no espírito do princípio caro a Benzécri).
Uma classificação euclidiana, baseada em todos os eixos do ACM, é usada para caracterizar subgrupos de editores e fazer perguntas sobre a dinâmica futura do mercado (por exemplo, sobre o processo de concentração previsível que reduzirá o número de 'atores').
A interpretação sociológica enfatiza a estrutura “quiasmática” do campo das editoras, com uma primeira oposição entre o “grande” e o “pequeno” (oposição clássica para este tipo de dados) e uma segunda entre um pólo comercial e um pólo de produção literária. legitimidade. Este segundo eixo parece assim ser consistente com o eixo clássico da composição do capital observado em análises anteriores (economia vs. cultura). O terceiro eixo refere-se mais à importância específica das traduções e separa assim duas frações distintas do centro comercial.
A interpretação sociológica enfatiza as relações existentes entre posições (ligadas a configurações de recursos) e posições assumidas (aqui escolhas editoriais – mas isto também diz potencialmente respeito a escolhas, estratégias ou conteúdos culturais políticos, literários ou científicos); neste artigo esta interpretação baseia-se essencialmente em comentários qualitativos feitos a partir da nuvem de indivíduos, vinculados a análises de citações e entrevistas.
O programa de investigação baseado nesta perspectiva pode agora ser brevemente resumido. Em nossa opinião, trata-se de:
i. mostrar a estrutura de um campo ou, mais amplamente, a configuração específica de um espaço social;
ii. do ponto de vista estatístico, os procedimentos descritivos vêm, portanto, em primeiro lugar;
iii. mostrar as homologias estruturais entre diferentes campos ou espaços sociais, que devem ser apoiadas por interpretações adequadas dos eixos;
iv. A análise de dados aparece aqui como uma prática interpretativa, deixando espaço para o raciocínio analógico enquadrado por uma interpretação estatística rigorosa. (É necessário, portanto, multiplicar metaestudos sociológicos para combinar os resultados e comparar estudos convergentes e divergentes);
v. determinar a autonomia relativa dos campos ou espaços sociais, que se refere à utilização de procedimentos de comparação e de hipóteses causais sobre as relações entre campos;
vi. estudar subespaços num espaço social global;
vii. o uso da “ACM específica de classe” (ACM específica de subnuvem de indivíduos) é de interesse óbvio aqui;
viii. explicar práticas e posições sociais; para citar Henry Rouanet, ele próprio citando Ludovic Lebart, “a estatística não explica nada, mas dá possíveis elementos de explicação” (ajuda, se quiser, a encontrar e decidir entre os candidatos à explicação sociológica);
x. estabelecer a importância dos efeitos, especialmente os efeitos de campo; isto refere-se à possível integração da análise de variância (“dados estruturados”) e métodos de regressão no âmbito da AGD, que parece mais apropriada ao contexto dos dados observacionais;
xi. estudar dinâmica de campo; A classificação euclidiana, o uso adequado de elementos adicionais e fatores estruturantes e a integração de dados temporais podem tornar isso possível.
6. CONCLUSÃO
Bourdieu não só estava consciente dos limites dos métodos quantitativos dominantes nas ciências sociais (especialmente os métodos de regressão), que tinha podido experimentar com Alain Darbel desde o início da década de 1960. Ele encontrou conscientemente uma alternativa com os métodos geométricos de modelagem de dados, que praticou por 30 anos, da década de 1970 até o final da década de 1990. Assim, a adoção da modelagem geométrica de dados abriu espaço para um ambicioso programa de investigação empírica em sociologia6.
NOTAS
1 Entre as exceções, citemos em particular A.Desrosières, 2003, 2008.
2 Prefácio à edição alemã do Métier de sociologue.
3 O artigo “O Sentido de Honra”, retomado em diversas formas, que atesta esta influência, foi escrito em 1960.
4 Isto é evidenciado por uma nota de rodapé na Distinção onde Bourdieu se refere a um texto de Jean-Paul Benzécri (sic) comentando um capítulo de uma obra de Cassirer, em 1978, em Os cadernos de análise de dados.
5 Encontramos diversas outras análises geométricas na obra de Bourdieu: dois ACMs em Homo academicus (1984); ACs em La noblesse d’Etat (1989); de AC e ACM em “A economia doméstica” (1990), depois As estruturas sociais da economia (2000).
6 Entre as pesquisas que de uma forma ou de outra se enquadram no âmbito deste programa, citemos Sapiro (1999), Rosenlund (2000), Lebaron (2001), Denord (2003), Duval (2004), Börjesson (2005) , Hjellbrekke et al. (2007), Savage et al. (2008), Hovden (2008)…
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