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Ainda parte do problema



Nesse fim de semana eu vi um filme de um diretor indiano, Shyamalan, chamado Old. Esse diretor sempre trabalha algo na linha de um realismo fantástico que termina por fundir o fantástico e o político, tentando dar conta da máxima dos perplexos: “a realidade supera a ficção”, vou me explicar.

No ápice de seus filmes, tudo aquilo que pareceria mágico como os monstros, a vida eterna, superpoderes não passam de uma situação gerada por um grupo de ricos que estão controlando tudo. Por trás do fantástico sempre está uma conspiração idiota. E a conspiração do filme Old é a indústria farmacêutica.

Faço esse parênteses por esse filme, que tem momentos de muita beleza em que toda determinação política da desgraça dos personagens é suspensa, para frisar, ad absurdum, a situação brasileira na atual sociedade capitalista - acabo de ler a matéria da Agência Pública: Marielle, milícias e mais: relatórios de inteligência da intervenção militar no RJ sumiram. 

Determinações econômicas brutais e cada vez mais reveladas à consciência pública nacional agem e, em seu interior, as pessoas tal qual aquelas enclausuradas em uma ilha onde “o tempo voa” vivem, se adaptam, se esforçam, vão em busca de "se reinventar", se faz ciência sobre a vida dessas pessoas até. O problema é que mesmo quando se chega até a estrutura geral dessa forma de vida, ela ainda persiste, ela não convulsiona com o excesso de “verdades” que aparecem sobre ela. Ao contrário da comum expectativa freudiana, a liberação do recalcado não implica transformações radicais de estrutura... Contudo, o problema talvez ainda esteja em outro lugar, só isso nos impediria de seguir o falso caminho ditado pela “pós-verdade” e pelo “negacionismo”, palavras da interpretação dominante da ordem dominante... Ainda parte do problema.

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