Na teoria de Bourdieu, a prova sociológica de uma explicação é, não em última, mas talvez em uma mediana instância, uma prova existencial; ela diz implicitamente: “leitora, faça consigo mesma as operações de objetivação que torne uma parte de sua experiência sociologizável e, então, teste se este conceito lhe doa um outro sentido” ou, como ele dizia citando a Husserl: “é preciso uma variação eidética sociológica".
Mesmo que o argumento tenha uma força empírica indubitável, é preciso fazer uma variação estrutural e buscar pensar o efeito daquela afirmação "em si", pressupondo a ontologia sociológica da sociedade, não sua metafísica consensual. Aí todo argumento ganha uma significação diferencial ou, se preferirmos, radical.
Quando realizo uma pesquisa e descubro com meus esforços aquele mecanismo que a teoria havia dito que lá estava, não simplesmente reencontro algo que já sabia. Eu vivo a visão daquela coisa tal como nos maravilhamos ou nos assustamos ao conhecer algo de novo e estranho. Esse reconhecimento das pesquisas iniciais, ao que me parece, é central na consolidação do habitus científico, pois, os semiexperimentos que a sociologia nos permite fazer tem valor formativo análogo a repetição das equações da relatividade para o jovem físico.
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