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Do campo ao espaço de serviços. Em Lemieux, O crepúsculo dos campos

Seção de um capítulo de Cyril Lemieux intitulado O crepúsculo dos campos no livro  Bourdieu, teórico da prática. Link: https://books.openedition.org/editionsehess/11772#bodyftn32 [...] DO CAMPO AO ESPAÇO DE SERVIÇOS Foi num texto publicado em 1996 sob o título Sur la Télévision – transcrição de dois cursos do Collège de France veiculados no mesmo ano pelo canal de televisão Paris Première – que Bourdieu talvez tenha trazido mais claramente à luz o que implica, se assim manter-se coerente consigo mesmo, uma concepção restritiva do conceito de campo. Os desenvolvimentos contemporâneos da actividade jornalística em França deram-lhe, de facto, a oportunidade de se interrogar, talvez pela primeira vez, sobre os mecanismos sociais através dos quais os campos podem sofrer retrocessos para a heteronomia, na medida em que a sua existência, enquanto campo, fica assim comprometido. Ao não hesitar em abrir tal reflexão, simétrica àquela realizada três anos antes em As regras da arte sobre...

Trecho do livro Geometria do Espaço Social de Pierre Macherey.

Trecho do livro de Pierre Macherey, Geometria do espaço social: Pierre Bourdieu e a filosofia. • Excursus: o tratamento do referente pascaliano  O livro, no post-scriptum do segundo capítulo, apresenta cerca de dez páginas intituladas "Como ler um autor?" (ivi, pp. 91-98), em que Bourdieu, a exemplo de Baudelaire, ralha violentamente contra os maus hábitos de uma leitura, que considera escolástica, dos "autores", auctores , cuja "neutralidade desrealizadora" denuncia nos seguintes termos: "Um dos clichês mais banais da celebração dos “clássicos”, que acaba por relegá-los a um limbo vazio, fora do tempo e do espaço, em todo caso a uma grande distância dos debates e lutas de o presente, paradoxalmente consiste em descrevê-los como nossos contemporâneos e nossos vizinhos, os mais próximos dos vizinhos - tão contemporâneos e tão próximos que não nos fazem duvidar nem por um momento da compreensão aparentemente imediata (mas na verdade mediada por toda a ...

"A esquerda precisa de Bourdieu ?" [Tentativa de] Crítica de Bruno Latour a Pierre Bourdieu.

  "Essa ideia de que se pode dar um curto-circuito na vida pública porque se possui uma ciência que daria as leis da história e que permitiria situar-se à esquerda da esquerda tem um precedente: o marxismo. Bourdieu certamente não é um Lenin..." (Latour). Com essa frase que leremos no artigo abaixo se torna palpável graças a analogia que traça, de modo  negativo, a intensa dialética que animou a prática científica de Bourdieu que buscava sempre desfazer a dicotomia entre "erudição e compromisso" sem fazer falsas equivalências entre a generalidade das capacidades representativas distribuídas por todo o tecido social - sim, Latour, os dominados pensam! - e o efeito unificador próprio a síntese teórica que possibilita uma homogeneização de princípios representativos básicos para facilitar uma prática coletiva. (Há condições sociais até mesmo para desconfiar da ciência, e ela se indicia ainda mais quando quem o faz está no topo da estrutura acadêmica). No mais, seguimos...

A última instância. Palestra de Pierre Bourdieu sobre Kafka

 Lembramos  desse momento d' O   Processo  quando Block, o comerciante que está permanentemente instalado com seu advogado, explica a Joseph K, que seu defensor comum está errado ao se classificar entre os "grandes advogados": "Qualquer um pode naturalmente se considerar grande se isso lhe agrada, mas nesta questão são os  usos do tribunal que decidem.  E a questão da verdadeira identidade, verdadeiramente dita, do veredicto  (veredictum),  julgamento proferido por uma autoridade reconhecida, ainda é afirmado no final do romance, entre as últimas perguntas, que são as perguntas finais, de Joseph K.: “Onde estava o juiz que ele nunca viu?  Onde estava o tribunal supremo ao qual ele nunca chegara?".  A existência social é esse confronto de perspectivas irreconciliáveis [inconciliables], de pontos de vista irredutíveis, de julgamentos particulares que reivindicam o universal do qual o insulto e a calúnia da existência ordinária representam ...