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Bourdieu. Um banco de dados. Uma esfinge

Se for possível me expressar nos seguinte termos, ponho: a sociologia enquanto forma de conhecimento do mundo social - como Geistwissenschaft - tem como princípio explicativo geral o primado da relação social contra a aparência individualista que a existência dos corpos individuais retifica. Para além de uma defesa de um idealismo transcendental que reconhece na intersubjetividade, no fato de que o outro é um outro eu e é por essa relação com o alter  que o ego  pode se formar, o social e com isso oblitera a existência da relação social mesmo na ausência do eu em seu modo individuado (E. Benveniste e outros linguistas e antropologos descobriram múltiplos povos que não possuíam o pronome da primeira pessoa do singular, forma linguística que ao enunciar realiza um ato generificante que permite que (como dizia Hegel): "o espírito reconheça a si mesmo"), gostaria de propor uma breve reflexão calcada nesse descentramento sociológico que faz da relação e, por consequência, da exte...

Banco de referências continuamente alimentado para o estudo de análises de correspondência múltipla (ACM) e de análise geométrica de dados (AGD).

Referências que trazem exemplos e explicações sobre seu uso, suas implicações filosóficas e diferenças com outros métodos estatísticos. 1." Ainda que não haja regra precisa para definir o número de casos e que pesquisas conhecidas tenham sido feitas com baixos efetivos – vide Bourdieu (1999) –, existem controvérsias a esse respeito, sobretudo dada a discussão acerca do efeito de baixos efetivos de respondentes por modalidades na criação de distorções, tema que será abordado adiante. Com o objetivo de minimizar tais distorções, Giovanni Di Franco (2016), por exemplo, propõe que o número mínimo de casos seja definido em função do número de modalidades ativas, com a sugestão de adoção de vinte casos para cada modalidade ativa... Cabe ressaltar que a interpretação oferecida pelas ACMs é essencialmente decorrente da descrição e interpretação dos mapas e tem por princípio a não atribuição de independência a variáveis, por julgar os fenômenos da vida social como comp...

Resenha de Norbert Elias: A peregrinação de Watteau para ilha do amor. Companhia das Letras, 2005.

A análise de Norbert Elias no ensaio A peregrinação de Watteau para ilha do amor (2005[1983]), dividida em três partes, passa da descrição da tela em seus pormenores; a sua relação com o antigo regime francês e a entrada de A. Watteau na academia de artes concomitante a elaboração da utopia coletiva da nobreza que idealizava uma ilha de amor; até a recepção da obra na sociedade francesa pós-revolucionária, que já não mais se encontrava sobre o domínio da nobreza (Luís XIV, analisado na Sociedade de Corte ) e que via surgir um “campo artístico”, mercado de produtores para produtores, onde os princípios de avaliação estéticos não eram mais dependentes diretamente do gosto do público/mecenas leigo. Nessa atmosfera, vale a ênfase em características psicossociais que Elias tangencia como próprio a Watteau e que talvez não tenha sido mais explorado por falta de dados(?). De todo modo, já na análise "iconográfica" da primeira parte do ensaio não deixa de transparecer em sua lenta de...

Representações sinópticas de mecanismos sociais. Excerto de obras

Bourdieu. Esquema usado também em Teoria da Religião de M. Weber. Wacquant. Resolver o problema da raça. Sadiya Akram. Bourdieu, Habitus and Field. A Critical Realist Approach. Passeron e Grignon Bourdieu. O poder simbólico Esquema. Exteriorizar=Tornar passado. Interiorizar = tornar o passado vivo-presente, i.e., existente. A variar a perspectiva pode se identificar ou não produção com reprodução. O juízo que reúne as duas pontas é abstrato, o processo concreto envolve rupturas com continuidades e continuidades através de rupturas. Bourdieu. As regras da arte Bourdieu. Seminário sobre o conceito de campo. Csordas.

Pierre Bourdieu: Breve improviso sobre Beethoven, artista empreendedor

Breve improviso sobre Beethoven, artista empreendedor. Para acessar a publicação original em francês, clique aqui . Este texto é a transcrição corrigida de um trecho de um seminário de 1981 dedicado às relações entre “negociantes” de bens culturais (editores, diretores de galerias, empresários de concertos, produtores de filmes) e artistas (escritores, pintores, compositores, diretores) durante os quais , sem dúvida em reacção à cerimónia que se realizou ao mesmo tempo no Pantheon e que incluiu a execução da Nona Sinfonia, Pierre Bourdieu envolveu-se neste desenvolvimento improvisado de Beethoven. Agradecemos-lhe calorosamente por ter autorizado a publicação do que, certamente, constitui, tal como está, uma breve nota de trabalho, formulada oralmente à atenção dos alunos. Apareceu-nos muito mais: a generalização de um esquema de análise já testado no campo literário (Pierre Bourdieu, Les Règles de l'art, Paris, Seuil, 1992) e no campo da pintura (Pierre Bourdieu, “A institucionaliz...

Com Weber, contra Weber. Entrevista com Pierre Bourdieu.

Com Weber, contra Weber. Pierre Bourdieu.  Pergunta: Quando você começou a se familiarizar com a obra de Max Weber? Se bem entendi, isso aconteceu durante sua estada na Argélia. Que tipo de texto você estava lendo naquela época?   Pierre Bourdieu: Comecei com Die protestantische Ethik. Durante esse tempo, eu estava trabalhando em um livro que pretendia resumir minha pesquisa sobre a Argélia. Em Die protestantische Ethik havia uma abundância de coisas sobre o tradicional "espírito" pré-capitalista e sobre o comportamento econômico - descrições maravilhosas que foram muito úteis e, de fato, bastante impressionantes. Recorri ao trabalho de Weber para compreender o M'zab, uma extensão de terra no deserto árabe, habitada principalmente por Kharijitas, que são muçulmanos com um estilo de vida muito ascético - e quase "puritano" e a quem poderíamos chamar 'os Protestantes do Islã', uma corrente religiosa. Isso foi realmente incompreensível; esta austeri...

Pós-escrito. M. Grenfell. A Metanoia de Bourdieu.

Princípios para Praticar Na Introdução deste livro, escrevi que mais tarde estabeleceria uma série de ‘princípios, axiomas e refutações’, que podem ser tomados como base para todo o resto nele. Essas são as suposições que nem sempre podem ser declaradas, mas são fundamentais para operacionalizar praticamente a metanóia bourdieusiana no mundo – pessoal e/ou profissionalmente. Elas complementam a mecânica da pesquisa bourdieusiana trifásica e da análise de campo de três níveis dada no Capítulo 4. Elas são destinadas, em particular, ao pesquisador em potencial que pretende colocar essa teoria da prática em prática . ● Bourdieu sempre começa com um contexto prático: olha para o fenômeno em si. O conselho para um pesquisador seria, portanto, simplesmente olhar – atentamente – e ver o que ele vê e como ele responde. Comece aqui.  ● Diferenciar entre o habitus ‘empírico’ e o ‘científico’ do pesquisador é uma segunda, mas corolária parte deste processo.  ● A reflexividade está sempre...